terça-feira, 13/10/2026

Ciro Gomes é condenado por violência política de gênero contra ex-senadora

Ex-ministro Ciro Gomes foi condenado pela Justiça Eleitoral após declarações ofensivas contra Janaína Farias, atual prefeita de Crateús. Pena de reclusão foi substituída por pagamento a ela e a entidades de proteção dos direitos das mulheres.

Ciro Gomes é condenado pela Justiça Eleitoral

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, foi condenado pela Justiça Eleitoral por violência política de gênero contra a prefeita de Crateús (CE), Janaína Farias (PT).

A condenação ocorreu em razão de declarações feitas por Ciro em 2024, quando Janaína assumiu uma cadeira no Senado como suplente de Camilo Santana, ex-ministro da Educação do governo Lula e adversário político do ex-ministro.

Declarações contra Janaína Farias motivaram ação

Nas declarações públicas, Ciro Gomes chamou a adversária política de “cortesã” e “assessora para assuntos de cama do Camilo Santana”.

As falas geraram forte reação no meio político e foram enquadradas pela Justiça Eleitoral como violência política de gênero.

Fala foi dada em entrevista no Ceará

Em entrevista ao Jornal Jangadeiro, de Fortaleza, em abril de 2024, Ciro voltou a atacar Janaína Farias ao comentar a chegada dela ao Senado.

“Em vez de ser assessora de alcova agora eu vou substituir. Ela é simplesmente a pessoa que organizava as farras do Camilo Santana. É isso que eu estou dizendo”, afirmou.

Ex-ministro foi enquadrado no Código Eleitoral

O artigo do Código Eleitoral em que Ciro Gomes foi enquadrado é o 326-B.

O dispositivo prevê pena de um ano e quatro meses de reclusão, além de multa, para quem “assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia, com a finalidade de impedir ou dificultar a campanha eleitoral ou o desempenho do mandato”.

Pena foi substituída por pagamento

A pena de um ano e quatro meses de reclusão foi substituída pelo juiz Edson Feitosa dos Santos Filho, da 115ª Zona Eleitoral do Ceará.

Ciro deverá pagar 20 salários mínimos a Janaína Farias e 50 salários mínimos a entidades cearenses de proteção dos direitos das mulheres.

A defesa ainda pode recorrer da decisão.

Defesa de Ciro nega intenção sexista

Na defesa apresentada à Justiça Eleitoral, Ciro Gomes negou que suas declarações tivessem intenção sexista.

Ele alegou que as menções feitas à então senadora tinham como alvo o que chamou de “patrimonialismo do sr. Camilo Santana”.

Segundo o ex-ministro, Camilo Santana era o verdadeiro alvo de suas críticas. Ciro também afirmou à Justiça Eleitoral que, ao longo de seus mandatos como prefeito e governador, sempre abriu espaço para mulheres em sua gestão.

Janaína Farias comemora condenação

Janaína Farias classificou a decisão como uma vitória das mulheres.

“Fui vítima, assim como tantas mulheres neste país, e a decisão é um alento. Não podemos relativizar a misoginia jamais”.

A prefeita afirmou ainda que vai doar os valores estipulados pela Justiça Eleitoral a entidades ligadas à proteção dos direitos das mulheres.

Bancada feminina do Senado pediu voto de repúdio

Na época das declarações, a bancada feminina do Senado pediu um voto de repúdio contra o ex-governador do Ceará.

As parlamentares classificaram a fala de Ciro Gomes sobre Janaína Farias como machista, preconceituosa e violenta.

“Esses ataques são repugnantes e absolutamente inaceitáveis, refletindo uma postura pessoal de desvalorização das mulheres e uma resistência preocupante à participação feminina em espaços de poder e decisão”, diz trecho do documento.

Declaração antiga sobre Patrícia Pillar também gerou críticas

Em 2002, durante campanha presidencial, Ciro Gomes afirmou que um dos papéis de sua então mulher, a atriz Patrícia Pillar, era dormir com ele.

O episódio gerou críticas ao então candidato, que foi chamado de machista.

Vinte anos depois, Patrícia Pillar afirmou ter perdoado Ciro, por quem declarou ter “grande admiração e respeito”.

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